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Open Finance e cobrança: o dado que ainda não está sendo usado

A API de dados do Open Finance brasileiro já permite enriquecer o perfil do devedor antes de qualquer contato. Quase ninguém usa. E isso é uma vantagem para quem começar agora.

Time de Produto · Dyvit
20 jan 2026

O Open Finance brasileiro é um dos projetos mais ambiciosos de infraestrutura financeira em execução no mundo. Desde 2022, qualquer pessoa física ou jurídica pode autorizar o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições via API padronizada pelo BACEN.

O uso mais comum até agora é na originação de crédito: bancos consultando dados de conta-corrente do cliente em outros bancos para calcular score de crédito com mais informação. Faz sentido, é o caso de uso mais óbvio.

O uso que quase ninguém está fazendo: consulta de Open Finance antes de uma ação de cobrança. E o impacto potencial aqui é maior do que na originação.

O que o Open Finance permite consultar

Com o consentimento do titular (que pode ser obtido como parte do fluxo de negociação), é possível acessar:

  • 01
    Saldo e movimentação bancária recente
    O devedor que diz "não tenho dinheiro" mas tem R$3.000 em conta-corrente está em situação diferente do que realmente não tem liquidez. O dado muda a abordagem.
  • 02
    Rendimentos e fontes de renda
    Devedor assalariado com depósito regular de salário tem perfil de pagamento diferente de autônomo com renda irregular. O plano de parcelamento adequado para cada um é diferente.
  • 03
    Outras dívidas ativas
    Devedor com múltiplas dívidas em cobrança simultânea está em situação de insolvência técnica. Nesses casos, forçar pagamento imediato pode resultar em inadimplência em outro credor, gerando disputa pelo recurso disponível.
  • 04
    Histórico Pix recente
    Este é o sinal mais subavaliado. O devedor que realizou 15 transações Pix na última semana, incluindo pagamento de outras contas, claramente tem acesso ao sistema e provavelmente está priorizando outras dívidas. O dado muda o tom e a urgência da abordagem.

O sinal que ninguém está usando: o Pix como indicador de liquidez

Este merece destaque separado porque é simples e ignorado.

O Pix deixa rastro. Não dos valores ou destinatários, mas da frequência de uso. Um devedor que usa Pix diariamente está ativo no sistema financeiro. Um devedor que não fez nenhuma transação Pix em 30 dias está possivelmente em situação de exclusão temporária do sistema (desemprego, doença, mudança de banco).

Esses dois perfis precisam de abordagens completamente diferentes. O primeiro precisa de urgência e facilidade. O segundo precisa de empatia e flexibilidade.

Impacto esperado

Em testes internos com carteiras piloto, a segmentação por atividade Pix dos últimos 30 dias aumentou a taxa de resposta à primeira mensagem em 21 pontos percentuais. A abordagem ficou adequada ao estado real do devedor.

Como implementar na prática

O fluxo de consentimento para Open Finance pode ser integrado ao próprio processo de cobrança. Quando o devedor responde à primeira mensagem do agente, o sistema pode solicitar consentimento, com linguagem clara e sem pressão, para consulta de dados financeiros como parte da "análise de melhor condição de negociação".

Devedores que concedem o consentimento têm interesse em resolver. A taxa de conversão nesse grupo é historicamente alta. E o dado obtido permite ao agente fazer uma oferta cirúrgica: não um desconto padrão, mas uma proposta calibrada à liquidez real do devedor.

O fluxo completo:

Consentimento solicitado
Mensagem WhatsApp com link de autorização Open Finance. Claro sobre finalidade, cancelável a qualquer momento.
Dado consultado
Saldo, atividade Pix dos últimos 30 dias, outros compromissos ativos. Leitura única, sem retenção além da sessão.
Score recalculado
Propensão ao pagamento atualizada com dados reais. Agente recalibra abordagem e oferta em tempo real.
Oferta cirúrgica
Parcelamento calibrado ao fluxo de caixa real. Ou proposta de pagamento imediato com incentivo, se o saldo permite.

Por que quase ninguém usa ainda

Três razões: complexidade técnica de implementação (as APIs do Open Finance têm peculiaridades de autenticação e consentimento), incerteza jurídica sobre a base legal para uso em cobrança (está resolvida: é legítimo interesse, conforme LGPD), e simplesmente falta de experimentação.

O Open Finance para cobrança ainda é uma fronteira. O dado existe, a infraestrutura existe, a base legal existe. O que falta é produto que conecte os pontos. A janela de vantagem competitiva para quem conectar primeiro é real.

O dado mais valioso para gestão de recebíveis não está no bureau de crédito. Está no histórico de transações Pix e no saldo bancário em tempo real. O Open Finance tornou esse dado acessível. Na plataforma Dyvit, esse dado alimenta não só a cobrança, mas o faturamento inteligente, a prevenção de inadimplência e a reconciliação automática. Quem integrar primeiro vai operar com uma camada de inteligência que os concorrentes não têm.

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